Sabalenka admite que expressão séria leva adeptos a julgar mal personalidade

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Aryna Sabalenka chocou o mundo do ténis ao admitir, sem rodeios, que o seu “rosto eslavo” leva muitos a julgá-la erradamente como sendo antipática ou até, nas suas próprias palavras, uma “cabra”. Esta revelação surpreendente surge precisamente a poucos dias do arranque de Wimbledon, onde a bielorrussa, número um mundial, persegue o seu primeiro título em relva e o acesso à tão desejada final, algo que lhe tem escapado na carreira.

Sabalenka, que vai iniciar a sua campanha frente a Teodora Kostovic, falou abertamente numa entrevista ao The Guardian sobre a forma como é percepcionada dentro e fora dos courts. A tenista reconhece que, durante os jogos, o seu comportamento intenso – com gritos para a equipa técnica, raquetes partidas e atitudes explosivas – contrasta fortemente com a sua personalidade fora da competição. “Quando me vês pela primeira vez, provavelmente vais pensar que sou uma cabra por causa do meu rosto eslavo. Isso não ajuda nada. Quando ando com esta cara fechada e sem emoções, posso parecer muito agressiva. Por isso, percebo porque é que algumas pessoas pensam isso de mim. Quando me conhecem melhor, percebem que é só algo com que nasci”, explicou a campeã.

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Esta sinceridade brutal de Sabalenka não é novidade para quem acompanha de perto o circuito feminino, mas nunca antes a tenista tinha falado de forma tão direta sobre o impacto dos seus traços faciais na perceção pública. O episódio ganha ainda mais relevo quando partilha o momento hilariante com a sua melhor amiga, Paula Badosa, antiga número dois mundial: “Quando nos conhecemos, eu disse-lhe: ‘Achei que eras uma cabra!’ E ela respondeu: ‘Também achei que eras uma cabra.’ E eu: ‘Bem, afinal não é verdade, por isso podemos ser amigas.’ Ela disse: ‘Sim, somos bastante parecidas.’ Acho que é só a atitude que levamos para o court”, revelou Sabalenka, sublinhando que a imagem de ambas é frequentemente mal interpretada.

A questão ganha especial importância numa altura em que Sabalenka tem sido alvo de críticas após episódios de frustração em torneios recentes. Após perder nos quartos-de-final de Roland Garros para Diana Shnaider, a bielorrussa não escondeu a irritação, culpando as condições do court e a organização por não terem fechado o teto. “Não tinha pensamentos, não tinha emoções, só queria desistir do ténis e partir tudo”, confessou sobre os momentos imediatamente após a derrota, esclarecendo mais tarde que não pondera abandonar o desporto.

No entanto, Sabalenka também faz questão de mostrar o seu lado mais descontraído e humano, contando o episódio do TikTok com Coco Gauff após a polémica final do Open de França do ano passado. Depois de ter sugerido que a derrota frente à americana se deveu à sua própria exibição, e não ao mérito de Gauff, Sabalenka pediu desculpa à colega e propôs uma coreografia para mostrar que não havia ressentimentos. “Marcámos o treino e eu disse: ‘Miúda, não achas que era divertido fazermos uma dança para mostrar à comunidade que está tudo bem?’ […] Eu já sabia a dança e a Coco, por ser tão talentosa, apanhou logo à segunda tentativa”, revelou, desmistificando eventuais conflitos.

Com Wimbledon à porta, Sabalenka prepara-se para tentar ultrapassar as meias-finais pela primeira vez, depois de já ter estado a um passo da final em três edições, incluindo a do ano passado, onde foi travada por Amanda Anisimova. Esta será uma oportunidade decisiva para cimentar o seu estatuto de número um mundial e silenciar de vez os críticos que continuam a questionar o seu temperamento e resiliência em momentos-chave.

O impacto destas declarações promete agitar o balneário feminino e intensificar o escrutínio sobre Sabalenka nos próximos dias. A pressão é enorme, especialmente quando se sabe que Coco Gauff, sua rival direta, nunca passou dos oitavos-de-final em Wimbledon, apesar de já ter conquistado dois títulos do Grand Slam. Ambas entram na competição com diferentes histórias para contar: Sabalenka soma três títulos em quatro finais este ano, enquanto Gauff perdeu as duas finais que disputou.

Todas as atenções estarão viradas para o desempenho de Sabalenka na relva londrina. Resta saber se conseguirá transformar a polémica em motivação e, finalmente, quebrar a maldição de Wimbledon, provando que o rosto fechado nada tem a ver com o coração que leva para dentro do court. Uma coisa é certa: dentro e fora dos courts, Sabalenka continua a ser uma das figuras mais fascinantes e imprevisíveis do ténis mundial.

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