Jannik Sinner e Aryna Sabalenka travaram uma autêntica batalha de bastidores e, à última da hora, deram um passo atrás numa decisão que poderia ter abalado Wimbledon: o ameaçado boicote às conferências de imprensa, que pairava como uma nuvem negra sobre o arranque do Grand Slam londrino, foi cancelado após negociações intensas e reuniões consideradas “construtivas” entre os representantes dos jogadores e a direcção do All England Club.
Depois de garantirem que iriam abandonar as conferências de imprensa ao fim de 15 minutos – em protesto, tal como fizeram em Roland Garros há poucas semanas –, os principais nomes do ténis mundial, encabeçados por Sinner e Sabalenka, resolveram recuar. Os jogadores, descontentes com a actual divisão das receitas dos prémios monetários nos Grand Slams e a exigir um aumento de 22%, consideraram insuficiente a proposta de Wimbledon, que ofereceu uma subida de 20% a partir de 2026. Apesar disso, optaram por não avançar com o boicote precisamente no momento em que o torneio se prepara para abrir as portas, esta segunda-feira, 29 de Junho.

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Este volte-face foi confirmado num comunicado do grupo de jogadores, divulgado quando já todos esperavam um início de Wimbledon marcado pela tensão fora dos courts. “Após reuniões construtivas entre representantes dos jogadores e a liderança do AELTC durante o fim-de-semana, os jogadores confirmaram que retomarão as suas obrigações normais com a comunicação social a partir de segunda-feira, 29 de Junho”, lê-se na nota publicada pelo grupo. Os atletas justificam a decisão com “o compromisso de Wimbledon em apresentar propostas específicas que respondam a todos os três pontos da submissão dos jogadores de Julho de 2025”. No entanto, deixam um aviso: “As questões de fundo mantêm-se por resolver e os jogadores irão avaliar cuidadosamente as propostas quando estas forem recebidas. Os jogadores também fornecerão a Wimbledon informações adicionais solicitadas no âmbito dessas propostas durante o torneio. O diálogo construtivo com Wimbledon e os outros Grand Slams continuará. Os jogadores e o clube não farão mais comentários neste momento.”
A decisão foi imediatamente recebida com alívio por figuras históricas do torneio e actuais membros da direcção, como Anne Keothavong e Tim Henman, que, em declarações à BBC, admitiram ter ficado “desapontados” com a possibilidade de boicote antes deste ter sido abandonado. Durante a transmissão da BBC, Henman explicou: “Esta conversa centra-se na percentagem da receita destinada ao prémio monetário. Existem apenas dois torneios no mundo cujas contas são públicas: Wimbledon e o US Open. Quando ouvimos falar desses 22% exigidos pelos jogadores, gostaríamos de perceber como funciona o modelo de negócio deles.” Henman frisou ainda os investimentos feitos pelo torneio: “O que investimos nas infra-estruturas – o telhado do Court Central, o Court One, o Millennium Building – beneficiou os jogadores. Acrescento que Wimbledon entrega 90% dos seus lucros à LTA para o desenvolvimento do ténis britânico. Não creio que os dois modelos de negócio sejam comparáveis. Aumentámos os prémios mais de 10 milhões de libras, um crescimento de 20%, por isso manter o boicote dos 15 minutos pareceu-nos desproporcionado.”
Keothavong reforçou a posição da organização: “O torneio está do lado dos jogadores. Achamos que é justo que partilhem os lucros do torneio, mas é preciso reunir todos na mesma sala e manter discussões construtivas. Defendemos a criação de um conselho de jogadores para que a comunicação seja directa. Dizem que querem ajudar os jogadores de ranking mais baixo e Wimbledon tem feito esse esforço: perder na primeira ronda já vale 80 mil libras, contra 30 mil há 10 anos. Os prémios da qualificação subiram 25%. Temos ouvido os jogadores e estamos a tentar ajudar. Falta diálogo construtivo.”
Com a ameaça de boicote afastada, Wimbledon arranca livre de polémicas mediáticas, pelo menos para já, e com a atenção redobrada no desempenho de Sinner, Sabalenka e restantes estrelas. O desfecho desta novela deixa no ar a pressão sobre a AELTC para apresentar propostas concretas até ao próximo ano e aumenta a expectativa sobre o futuro das negociações entre jogadores e organizações dos Grand Slams.
A próxima etapa será a análise detalhada das propostas prometidas por Wimbledon, que poderá determinar a paz ou reacender conflitos entre atletas e dirigentes. Para já, os adeptos e jornalistas podem respirar de alívio: o ténis continuará a ser discutido dentro e fora do court, mas sem boicotes a ensombrarem a edição de 2024. Resta saber se esta trégua se manterá ou se estaremos apenas perante o início de uma nova era de reivindicações por parte dos protagonistas do ténis mundial.
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