Daniil Medvedev está pronto para escrever um novo capítulo na sua relação conturbada com a terra batida. Há pouco mais de três anos, o tenista russo conquistava, de forma surpreendente, o seu primeiro e único título nesta superfície: o prestigiado torneio dos Internazionali d’Italia, em Roma. Na final, Medvedev derrotou o jovem Holger Rune, um feito que até o próprio admitiu nunca ter imaginado alcançar. No entanto, longe de ser um trampolim para o sucesso contínuo no “red clay”, essa vitória permanece como uma exceção num percurso marcado por mais frustrações do que glórias neste tipo de piso.
Em declarações à TennisTV, o ex-número um mundial fez uma análise franca do seu desempenho naquela semana inesquecível. “Penso que fiz tudo muito bem naquela semana. Esta é a beleza da terra batida: todos os golpes têm de estar perfeitos. Claro que depende também do estilo de jogo de cada um nesta superfície. Para mim, todos os golpes têm de estar perfeitamente sincronizados, e há alguns anos atrás estavam. É esse o nível que vou tentar alcançar novamente este ano”, afirmou Medvedev, deixando claro que o objetivo é repetir o feito e reeditar o triunfo romano.
Mas a realidade recente tem sido dura para Medvedev na terra batida. No primeiro evento da temporada, em Monte Carlo, o russo sofreu uma derrota humilhante diante do italiano Matteo Berrettini, sem conseguir conquistar sequer um jogo. Em Madrid, apesar de ter mostrado uma performance consideravelmente melhor, voltou a sair derrotado, desta vez perante outro talento italiano, Flavio Cobolli. Sobre este encontro, Medvedev reconheceu a qualidade do adversário e valorizou a sua própria exibição: “Acho que joguei muito bem em Madrid e senti-me muito à vontade. O jogo contra o Cobolli, mesmo com a derrota, foi de altíssimo nível. Há muitos aspetos positivos a retirar de Roma. Vou tentar melhorar ainda mais, e é aí que talvez possa ir mais longe no torneio, e é isso que vou tentar fazer”, garantiu o campeão do US Open 2021.
Daniil Medvedev sabe que o desafio está lançado. A ambição é clara: transformar um momento de glória isolado numa regularidade de sucesso na terra batida, dominada historicamente por outros estilos e jogadores. Com 30 anos, o russo está numa fase crucial da carreira para provar que o seu talento vai muito além das superfícies rápidas e que pode, finalmente, dominar o “red clay” com a mesma autoridade que exibe em outros pisos. A corrida ao bis em Roma está oficialmente aberta!
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