Novak Djokovic está de regresso à competição depois de dois meses de ausência, preparando-se para atacar Roland Garros com uma arma secreta que poucos reconhecem. O tenista sérvio, que não compete desde a sua derrota frente a Jack Draper nos oitavos de final do Masters de Indian Wells, vai dar o pontapé de saída no Masters de Roma, num regresso que promete agitar as apostas para o segundo Grand Slam do ano.
Apesar da pausa prolongada, Djokovic mantém-se entre os principais favoritos para o título em Paris, logo atrás de Jannik Sinner, que tem dominado a cena nos últimos tempos. A retirada de Carlos Alcaraz do torneio deixou o quadro competitivo ainda mais aberto, especialmente na metade inferior do sorteio. O espanhol, mesmo ausente, continua a ser uma referência, mas agora todos os olhos estão apontados para a batalha iminente entre Djokovic e o jovem talento italiano.
Arnaud Clément, antigo jogador francês com quatro encontros contra Djokovic no circuito ATP, não tem dúvidas: o sérvio tem todas as condições para desafiar Sinner no saibro parisiense. Em entrevista à Eurosport França, Clément destacou a experiência de Djokovic em gerir situações complexas e a sua capacidade de adaptar o ritmo ao longo do torneio. “Ele já passou por isto antes. Tem uma vantagem confortável, pois sabe encontrar o seu ritmo nas primeiras rondas, algo que nem todos conseguem. Depende muito do adversário que terá logo no primeiro jogo”, explicou o ex-tenista.
A prioridade de Djokovic é clara: conquistar mais um Grand Slam e para isso precisa estar competitivo desde já, acumulando vitórias que lhe devolvam o ritmo de jogo, algo essencial depois da longa inatividade. Clément acrescenta que o sérvio poderá até jogar uma semana antes de Roland Garros, dependendo do desempenho que apresentar em Roma.
Mas o que sobressai nesta análise é mesmo a vantagem física que Djokovic pode ter sobre Sinner no torneio francês. “Apesar da idade, Djokovic pode aguentar mais tempo em campo do que Sinner no saibro. Isso pode ser decisivo”, afirma Clément, sublinhando que, para vencer, Djokovic provavelmente terá de defrontar Sinner na final. “Vamos ver em que parte do quadro cada um cai e quem terão pela frente. O caminho de Djokovic é mais longo do que o de Sinner.”
No confronto direto, Djokovic levou a melhor no último embate, eliminando Sinner nas meias-finais do Open da Austrália num duelo épico de cinco sets. No entanto, o italiano tem dominado o confronto recente, vencendo cinco dos últimos seis encontros, incluindo três em Grand Slams. Sinner lidera o histórico com seis vitórias em 11 encontros, numa rivalidade que começou em 2021 no Masters de Monte Carlo.
A próxima oportunidade para este duelo eletrizante pode surgir já no Masters de Roma, mas Djokovic terá de dar o seu melhor para alcançar a final, algo que não consegue desde o Miami Open de 2025. A rota até Roland Garros está traçada, e o regresso de Djokovic promete reescrever a história no saibro francês, colocando-o como uma ameaça real à ascensão imparável de Sinner.
Este duelo de gerações, experiência contra juventude, físico contra talento, promete ser o grande espetáculo do ténis em 2026. Novak Djokovic está de volta para desafiar o futuro do desporto, com uma vantagem física que pode fazer toda a diferença em Paris.
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