Uma provocação surpreendente de uma jovem estreante sérvia incendiou o arranque de Wimbledon, mas Aryna Sabalenka, número 1 mundial e quatro vezes campeã de Grand Slam, tratou de dissipar qualquer dúvida sobre quem manda no relvado sagrado de Londres. Com sarcasmo e um sorriso desarmante, a bielorrussa respondeu à ousadia de Teodora Kostovic, que antes do encontro tinha desafiado abertamente a líder do ranking, questionando se Sabalenka conseguiria lidar com a sua potência. No final, o embate revelou-se um passeio implacável para a favorita, que venceu sem apelo nem agravo por 6-2, 6-3 em pouco mais de uma hora.
A jovem sérvia, de apenas 19 anos e sem experiência prévia em torneios em relva, tinha surpreendido tudo e todos ao afirmar: “Quero defrontar a Sabalenka. Vamos ver se ela consegue lidar com a minha potência. Claro que a posso vencer. Posso vencer qualquer uma quando estou inspirada.” O encontro decorreu na mítica Centre Court, onde Kostovic teve, de facto, a oportunidade de medir forças com a melhor do mundo, mas rapidamente se percebeu a diferença de andamento e maturidade competitiva.

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A importância deste encontro ultrapassa o mero resultado. Para Sabalenka, tratava-se não só de uma estreia em Wimbledon após a amarga eliminação do ano anterior frente a Amanda Anisimova, como também do regresso à competição depois de algumas dúvidas geradas pela derrota nos quartos-de-final de Roland Garros. O triunfo convincente, perante um público efusivo que lhe tributou a maior ovação do dia, serve como afirmação clara de que a bielorrussa está em grande forma e determinada a conquistar o título que lhe escapou.
Na conferência de imprensa após o encontro, Sabalenka não perdeu a oportunidade de abordar, com humor, as palavras de Kostovic: “Só percebi depois do jogo o que ela disse”, começou por revelar. “É tão engraçado. Seja como for. Acho que ela disse que queria ver se eu conseguia lidar com a potência dela (risos)… tão assustador. É bom que ela tenha essa autoconfiança. É uma coisa positiva de se ter.” A tenista foi ainda mais longe, relativizando a importância dos mind games: “Não costumo prestar muita atenção, para ser honesta, às citações das minhas adversárias. Por vezes as declarações podem ser traiçoeiras e tiradas do contexto. Tento mesmo afastar-me desse lado do jogo”, explicou a número 1 do mundo.
Apesar da superioridade evidente, Sabalenka reconheceu que as primeiras rondas de um Grand Slam são sempre armadilhas potenciais. “Estou satisfeita por ter conseguido fechar este encontro em dois sets”, afirmou, visivelmente aliviada. O triunfo permitiu-lhe carimbar o passaporte para a segunda ronda, onde a espera McCartney Kessler, norte-americana de 26 anos que esmagou Oleksandra Oliynykova por 6-0, 6-0 no seu jogo inaugural.
Olhando para o futuro, Sabalenka sabe que as dificuldades só irão aumentar. Caso continue a vencer, poderá ter pela frente um duelo explosivo nos oitavos-de-final contra Naomi Osaka, outra tetracampeã de Grand Slam. Antes disso, terá de ultrapassar Kessler, jogadora que já derrotou em Indian Wells este ano, embora num jogo que esteve longe de ser fácil, especialmente no primeiro set. Sabalenka, que após a queda em Paris recorreu novamente ao seu psicólogo desportivo para recuperar a confiança, mostra-se agora mentalmente pronta para os desafios de Wimbledon: “Todos temos nervos. Tentamos apenas afastá-los. Acho que com a experiência aprendi a lidar melhor com isso”, confidenciou.
A expectativa é máxima para o duelo da segunda ronda, onde Sabalenka procurará manter o ritmo avassalador e consolidar o estatuto de principal favorita ao título. Com a confiança renovada e o sarcasmo afiado, a número 1 mundial mostra que não basta falar — é preciso provar em campo. Os adeptos já aguardam, ansiosos, para ver até onde poderá ir a líder bielorrussa neste Wimbledon que promete emoções fortes.
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