Roberto Martínez agitou as águas ao descartar por completo qualquer estratégia para evitar adversários europeus, garantindo que Portugal está focado apenas em vencer, independentemente de quem cruze o caminho da Seleção. O selecionador nacional foi claro ao afirmar que não faz sentido pensar em cálculos de calendário ou em possíveis adversários, num discurso que afasta todas as teorias de “gestão de percurso” rumo à fase a eliminar do Mundial.
Durante a conferência de imprensa de antevisão ao encontro dos oitavos-de-final, Martínez abordou sem rodeios as ideias sobre uma alegada preferência por equipas não-europeias. “Infelizmente, não, [essa teoria] não faz sentido, queremos ganhar todos os jogos. Quando chegámos era tentar crescer muito, utilizar os jogos para preparar todos. A ideia era ganhar todos os jogos e ganhar o grupo, mas o Mundial não é assim. É tentar melhorar, experimentar aspetos, alinhar conceitos e o caminho, já falei disso, não consegues escolhê-lo, tens de dar o melhor no caminho que chega e agora estamos focados nos oitavos”, esclareceu o espanhol, reforçando que a ambição da equipa passa sempre pela vitória, sem subterfúgios.

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O duelo frente a Espanha, considerado por muitos uma “final antecipada”, promete ser um dos jogos mais intensos desta fase da competição, com duas seleções que primam pelo controlo do meio-campo e pela personalidade dentro de campo. A tarefa não se adivinha fácil para Portugal, que terá pela frente uma seleção espanhola ainda imbatível e sem qualquer golo sofrido na fase de grupos. Martínez reconheceu o nível do adversário, mas não escondeu a confiança na abordagem lusa: “Respeitamos muito o adversário, a Espanha é uma equipa muito, muito boa, com uma ideia muito clara. Somos equipas melhores com bola, precisamos de defender com bola para acentuar a qualidade dos nossos jogadores, mas é importante ter desempenhos completos. Precisamos de ser bons sem bola, defender rápido, transições, já vimos na final da Liga das Nações. O 2-2 foi um resultado curto e amanhã vai ser igual. Precisamos de personalidade para manter o nível e uma intensidade alta, e poder utilizar a totalidade do grupo. Precisa de frescura, que os jogadores do banco acrescentem, para poder manter o nível de jogos que ambas as seleções têm.”
A importância deste embate vai muito além do resultado imediato. Um triunfo frente à Espanha poderá catapultar Portugal para uma nova dimensão competitiva, reforçando a convicção de que o sonho do título é possível. Por outro lado, uma eliminação precoce pode gerar dúvidas e instabilidade em torno de um projeto que, segundo Martínez, tem vindo a ser construído com base na flexibilidade tática e no crescimento coletivo. O selecionador não hesitou em elogiar a capacidade de adaptação dos seus jogadores, sublinhando que “temos muita flexibilidade, a equipa consegue usar padrões de ataque com dois pontas de lança, um, três números 10, jogadores por dentro, pés trocados. Isso foi um trabalho que fizemos durante três anos e meio, seria um ponto fraco para nós limitar o nosso jogo a um padrão ofensivo ou aspeto tático. A nossa força é a flexibilidade que temos e todos os jogadores estão preparados. 21 já estiveram em campo, e o Inácio e o Guedes acredito que podem ajudar a equipa.”
Confrontado com a possibilidade de alinhar simultaneamente com Ronaldo e Gonçalo Ramos, Martínez explicou a estratégia e relembrou a importância de se adaptar às circunstâncias do jogo: “A primeira parte contra a Croácia foi muito boa, mas quando és superior e o adversário marca, é o momento em que precisávamos de mudar a dinâmica e era importante ter dois pontas de lança para chegar à baliza, para condicionar os centrais. Depois quando marcámos foi um jogo diferente, a Croácia também é uma equipa que utiliza a bola bem e precisámos de ajustar no meio-campo. Não podíamos jogar em inferioridade. Em relação aos momentos do jogo, do adversário, do que estamos à procura, o importante é que os jogadores acrescentem.”
Sobre o estado anímico da equipa após quatro jogos, o técnico espanhol assegurou que Portugal está preparado para enfrentar qualquer adversário e destacou o crescimento exibido ao longo do torneio. “No percurso do Mundial é importante olhar para a frente e para o próximo adversário. O que fizemos contra a RD Congo, Uzbequistão, Colômbia e Croácia foram passos que nos ajudam a crescer. Diogo Costa está num momento fantástico, precisamos dele. O importante é que a equipa sabe sofrer, manter o nível até ao fim e ajuda muito para jogar os oitavos. Estamos aqui para estar ao melhor nível que Portugal possa nos oitavos e não para defrontar a Espanha. Foi o percurso que nós tivemos. Todos os jogos são diferentes, mas estamos mais preparados para estar ao melhor nível do que quando chegámos a Houston”, garantiu Roberto Martínez.
A dúvida sobre possíveis alterações no onze inicial mantém-se, mas o selecionador deixou claro que a escolha recai sempre na busca pela melhor solução para cada desafio, recusando-se a individualizar ou a criar polémicas em torno de eventuais saídas ou entradas: “Primeiro dizer que os nossos jogadores que está a falar, são muito importantes para nós. Não é falar da saída de um jogador, isso não é como nós trabalhamos, é o grupo acima de tudo.”
O próximo capítulo da campanha portuguesa será escrito sob a pressão máxima de um confronto com um dos maiores rivais europeus, num duelo que pode definir o verdadeiro potencial desta geração. Seja qual for o desfecho, a mensagem de Martínez é inequívoca: Portugal está pronto para tudo, com ambição renovada e sem medo de ninguém. A expectativa está ao rubro e os adeptos anseiam pela resposta da Seleção em campo, numa noite que promete ficar gravada na memória do futebol nacional.
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