O balde de água fria caiu sobre o Senegal logo à primeira jornada do Mundial 2026, mas Aurélien Tchouaméni, médio da selecção francesa, acredita firmemente que os campeões africanos ainda vão deixar a sua marca na competição. A derrota por 3-1 frente à França no MetLife Stadium, em Nova Iorque, não apagou a coragem, o talento e a ambição demonstrados pelos Leões de Teranga, que enfrentaram olhos nos olhos os vice-campeões do Mundo de 2022 e, durante largos períodos, pareceram até mais perigosos no relvado.
O embate inaugural do Grupo I, disputado diante de uma multidão vibrante, ficou marcado pelo brilho individual de Kylian Mbappé, autor de dois golos que acabaram por fazer a diferença. Bradley Barcola também inscreveu o seu nome na folha de marcadores, aproveitando uma segunda parte em que o Senegal sucumbiu à eficácia francesa. Ainda assim, Ibrahim Mbaye reanimou as esperanças dos africanos com um golo que reduziu a desvantagem para 2-1, mas esse momento não foi suficiente para travar o ímpeto da França, que selou o triunfo e lidera agora o grupo.

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Este resultado coloca o Senegal numa posição delicada, mas está longe de ser o fim da linha para a equipa orientada por Aliou Cissé. O Mundial de 2026, co-organizado pelos Estados Unidos, México e Canadá, promete ser um palco de emoções fortes e reviravoltas, e os senegaleses, com a sua qualidade e experiência, continuam a ser vistos como candidatos sérios a avançar na competição. A expectativa em torno desta selecção, que conquistou o título africano recentemente, mantém-se elevada, tanto entre os adeptos como entre adversários de peso.
Tchouaméni, em declarações à Hoppen Media após o apito final, não poupou elogios ao adversário: “Sim e não. Sim, porque vemos o Senegal na televisão constantemente. São os campeões africanos, toda a gente sabe que têm uma grande equipa, com grandes jogadores. Mas só quando se joga contra eles é que se percebe realmente o nível que têm.” O médio francês, peça-chave no meio-campo dos ‘bleus’, reforçou a confiança no potencial dos senegaleses para recuperarem deste desaire: “Como disse, são os campeões africanos e, francamente, são uma grande equipa. Acho que vão mostrar o seu valor neste torneio.”
Do lado senegalês, o guarda-redes Édouard Mendy assumiu o papel de líder no balneário e lançou o desafio aos colegas para darem a volta por cima já no próximo encontro: “Conhecemos os nossos pontos fortes e sabemos que somos capazes de muito melhor. Faltou-nos controlo na posse de bola e devíamos ter sido mais consistentes nessa área. Mas também é preciso reconhecer que defrontámos uma grande equipa francesa”, afirmou o antigo guarda-redes do Chelsea, ainda no rescaldo do jogo. E acrescentou: “Mesmo que tivéssemos vencido, o grupo continuaria em aberto. Hoje perdemos, mas isto ainda não acabou. Agora temos de recuperar, concentrar-nos na Noruega e conseguir um resultado para continuarmos na luta.”
Mendy destacou ainda os momentos de perigo criados pelo Senegal, especialmente na primeira parte, lamentando a falta de eficácia: “Tivemos boas situações, sobretudo antes do intervalo, mas não conseguimos concretizar. Contra uma equipa como a França, isso paga-se caro. Por vezes, fomos demasiado passivos. Na segunda parte sabíamos que tínhamos de subir o nosso nível e ser mais incisivos no ataque. Conseguimos em alguns momentos, mas contra jogadores deste calibre é preciso ser perfeito, tanto defensivamente como ofensivamente. Não podemos permitir a mínima falha de concentração.”
O próximo desafio do Senegal está agendado para 23 de Junho, frente a uma Noruega moralizada pela vitória por 4-1 sobre o Iraque. A pressão está agora do lado dos africanos, que não podem vacilar se querem manter as aspirações intactas no Mundial. A derrota inaugural obriga a uma resposta imediata e contundente — qualquer deslize poderá ser fatal na corrida pelo apuramento. Os olhos do mundo estão postos nos Leões de Teranga, que têm agora a oportunidade de provar que o desaire frente à França foi apenas um percalço e que continuam preparados para causar impacto nesta edição histórica do Campeonato do Mundo. A resposta senegalesa a este momento decisivo será, sem margem para dúvidas, um dos focos mais quentes da próxima jornada.
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