Max Homa alerta para a luta contra a perda de forma no golfe

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O golfe é um desporto implacável e poucos conseguem descrever a montanha-russa emocional do PGA Tour como Max Homa, seis vezes vencedor no circuito. O norte-americano vive uma seca de triunfos que já dura há mais de dois anos, mas nos últimos meses tem dado sinais de querer retomar a sua antiga forma. Em declarações francas e intensas durante o RBC Heritage, Homa revelou o peso psicológico brutal de sentir o seu jogo a desvanecer-se lentamente, numa batalha silenciosa contra o declínio.

“Todos temos aquele medo de estar a perder o toque, e acabamos por sentir isso antes dos resultados caírem a pique. A sensação é a de uma hemorragia lenta”, confessou Homa, descrevendo aquele momento fatídico em que a confiança e a forma começam a escorregar, mas sem um colapso imediato. O jogador explicou ainda que, apesar das dificuldades, sabia que a sua recuperação estava a caminho: “No outono passado já sentia que as coisas estavam a melhorar. Em maio do ano passado percebi que ia conseguir encontrar uma solução. Não sei se vou voltar a vencer, isso é um mistério… Mas sabia que aquilo que vivi entre janeiro e abril, quando estava a jogar péssimo, não podia durar para sempre. Foi uma fase sem luz no fim do túnel, e em maio senti que ultrapassei o pior.”

A temporada de 2025 foi um verdadeiro pesadelo para Homa. Começou com um modesto 26º lugar no Sentry, seguido de uma retirada no Farmers Insurance Open. No AT&T Pebble Beach terminou no 53º lugar e depois acumulou cinco cortes falhados consecutivos, um período negro entre janeiro e abril. Mesmo depois de um 12º lugar no Masters, os problemas persistiram no RBC Heritage, onde caiu para a 70ª posição. Contudo, maio trouxe alguma esperança, com um 30º lugar no Truist Championship e um 5º lugar no John Deere Classic, além de três top 20 em setembro e outubro, mostrando que a recuperação estava a acontecer, ainda que lenta.

Mas, para Homa, a frustração não tem sido negativa. “A parte mais difícil é ligar tanto o teu valor ao resultado final. Esta temporada, especialmente nos treinos, tenho jogado muito bem. Houve rondas de prática que foram incríveis e divertidas, e em casa o meu jogo tem estado forte. É difícil não ficar preso às classificações, aos cortes que se fazem ou falham, às décimas, vigésimas, trigésimas posições. É frustrante, mas é aquele tipo de frustração que te motiva,” explicou o jogador, sublinhando a fina linha que separa o sucesso da derrota no PGA Tour.

Os detalhes minúsculos fazem toda a diferença para Homa: três putts decisivos, jogadas desperdiçadas perto do green, um swing errado que destrói toda a dinâmica do jogo. É nestes pormenores que se joga o futuro de uma temporada. E o norte-americano sabe que precisa de espelhar o que estrelas como Scottie Scheffler ou Rory McIlroy fazem: “Eles conseguem apresentar resultados sólidos mesmo quando as coisas não correm bem. Eu ainda não consegui fazer isso de forma consistente, mas tenho chegado mais perto ultimamente. Não vais jogar quatro rondas perfeitas de golfe, por isso o desafio é controlar o que podes. Em casa, sei que o meu jogo está bom, isso é claro.”

Mas o que mudou no seu jogo para esta nova fase? Homa revelou que voltou a treinar com Mark Blackburn, um treinador que conhece bem e com quem tem uma comunicação excelente: “Voltei a trabalhar com ele em outubro e temos feito muito trabalho na pré-temporada. Ele está muito sintonizado com o que me faz funcionar, e a nossa comunicação é fantástica. Foi bom ver um resultado positivo na semana passada, especialmente para ele, porque ele tem feito um trabalho incrível que eu não consegui mostrar nos últimos meses. Foi como voltar a juntar a banda.”

Com um 9º lugar fresquinho no Masters, Homa sente que o seu jogo tem estado mais sólido nos últimos meses, com algumas pequenas alterações, mas mantendo o seu estilo. O resultado recente deu-lhe um impulso de confiança, mas a verdadeira questão é se poderá manter este nível no RBC Heritage e além. A resposta só o tempo dirá, mas uma coisa é certa: Max Homa está determinado a não deixar que a “hemorragia lenta” acabe por consumir a sua carreira.

Este é um momento crucial para Homa, um jogador que sabe que a luta psicológica no golfe é tão dura quanto a técnica. Seja para os fãs do desporto ou para os que acompanham o drama da carreira de um atleta, a história de Max Homa é um lembrete poderoso do custo invisível do fracasso e da resiliência necessária para voltar a brilhar no topo do PGA Tour.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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