Emma Raducanu: A jogadora mais difícil de treinar no ténis

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Emma Raducanu enfrenta o maior desafio da sua carreira: encontrar estabilidade no banco de treinadores enquanto tenta recuperar o brilho que a catapultou para o estrelato mundial. Desde a separação com Francisco Roig, antigo braço direito de Rafael Nadal, a tenista britânica tem vivido uma verdadeira montanha-russa no que toca à sua equipa técnica. Recentemente, Raducanu voltou a unir-se a Andrew Richardson, o treinador que a conduziu à histórica conquista do US Open, numa tentativa de reencontrar a fórmula do sucesso. Contudo, a sua carreira tem estado longe de atingir as expectativas, com obstáculos como lesões, doenças e uma sucessão de mudanças que colocam em causa a sua evolução.

A ascensão meteórica de Emma em 2021, com a surpreendente presença nos quartos de final de Wimbledon e a vitória épica no US Open, parecia prenunciar um futuro brilhante. No entanto, desde então, o progresso tem sido travado por uma série de problemas físicos e uma ausência total de jogos em terra batida, devido a um vírus persistente que a afetou desde a temporada no Médio Oriente. Durante este período, o parceiro de treino Alex Canter assumiu um papel intermitente como treinador, mas a jovem de 20 anos já contou com nove técnicos diferentes desde a sua explosão no circuito.

“Ficámos em contacto e mantemos uma boa relação, o que é incrivelmente importante”, revelou Raducanu sobre a reconciliação com Richardson. “Conheço-o desde os 10 anos e queria muito voltar a jogar na terra batida europeia com ele. É uma grande pessoa e gostei de estar em campo ao seu lado. Ele tem muitos compromissos na academia e na vida pessoal, por isso ainda não falámos sobre uma parceria a tempo inteiro, mas foi uma semana agradável.”

Apesar do reencontro promissor, a verdadeira dificuldade em torno da carreira da britânica está na sua própria inteligência, como sublinha a experiente ex-jogadora e seis vezes campeã de Grand Slam em pares, Rennae Stubbs. A australiana não poupou críticas ao afirmar que Raducanu é uma das jogadoras mais difíceis de treinar que já viu: “Acho que o trabalho mais difícil do mundo é ser treinador da Emma Raducanu, porque ela tem pouca paciência.” Stubbs explicou que a tenista é extremamente perspicaz e questiona frequentemente as orientações que recebe, rejeitando aquelas que não fazem sentido para si. “Ela é tão inteligente que percebe quando os treinadores dizem coisas sem lógica e simplesmente pensa: ‘Isto não faz sentido’.”

Esta perceção torna o trabalho dos seus treinadores ainda mais complexo, especialmente quando Raducanu parece não se encaixar no perfil tradicional de atleta que aceita cegamente toda a orientação. Stubbs acredita que a ligação de longa data entre Raducanu e Richardson pode ser a chave para uma relação mais duradoura e produtiva: “Ele conhece-a desde muito nova, talvez compreenda-a melhor do que todos os outros. Ela pode finalmente relaxar e deixar de tentar ser uma jogadora que não é.”

A instabilidade técnica da tenista britânica ficou ainda mais evidente com a curta passagem de Mark Petchey, que não durou devido aos compromissos televisivos do treinador, embora este continue a ajudar a distância. Stubbs termina com uma nota otimista: “Esta é uma boa decisão da parte da Emma. Vamos ver o que vem a seguir.”

Com a desistência do Rome Open, Raducanu prepara-se agora para tentar regressar às competições no Strasbourg Open, embora dependa de um wild card para entrar em ação. Caso não consiga garantir a entrada, a atleta terá de encarar Roland Garros sem qualquer jogo competitivo em terra batida, um cenário que poderá condicionar a sua performance no segundo Grand Slam da temporada.

Emma Raducanu está num momento decisivo da sua carreira, onde a combinação certa de treinador, saúde e motivação pode ser a diferença entre a ascensão meteórica e um percurso marcado pela instabilidade. O mundo do ténis observa atentamente se esta jovem prodígio conseguirá finalmente estabilizar-se e cumprir o enorme potencial que já demonstrou.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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