Grigor Dimitrov regressou finalmente aos grandes palcos de Wimbledon com um triunfo sofrido e carregado de emoção, quebrando um ciclo de lesões que quase lhe deitaram a carreira abaixo. Um ano depois de sair em lágrimas do court central devido a uma lesão contra Jannik Sinner, o búlgaro voltou a sorrir e a encantar o público britânico ao eliminar Jakub Mensik no segundo turno do Grand Slam londrino, com os parciais de 7-6(5), 4-6, 7-5 e 6-3. Aos 35 anos, o antigo número três mundial reencontra-se com o ténis de alto nível e já garantiu um lugar na terceira ronda, onde terá pela frente o italiano Matteo Berrettini.
O regresso de Dimitrov ao All England Club não podia ser mais simbólico. Depois de meses afastado dos grandes palcos e de ter caído fora do top 100 mundial, o tenista natural de Haskovo vive agora uma renovação inesperada, marcada por uma vitória suada diante de um adversário em clara ascensão. Na conferência de imprensa após o encontro, Dimitrov não escondeu a felicidade: “Foi um jogo fantástico, houve de tudo”, analisou o búlgaro, sublinhando as dificuldades causadas pelas condições. “O sol, o vento e depois o fecho do teto trouxeram muitos momentos de incerteza, mas estou muito contente por ter conseguido gerir tudo isso e jogar o meu melhor ténis precisamente quando mais precisava. O Jakub é um adversário fantástico, já tinha jogado contra ele antes e adoro o seu estilo. Nota-se que está a evoluir imenso e acredito sinceramente que terá grandes resultados no futuro.”

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Este Wimbledon marca o início de uma nova etapa na carreira de Dimitrov, que admite estar a redescobrir-se como jogador. “Neste momento sinto que estou a percorrer o meu próprio caminho. Ganhar ou perder separa-se por uma linha muito ténue, mas agora estou focado em explorar outras qualidades em mim. Quero melhorar aspetos que talvez tenha deixado para trás ao longo da carreira e rodear-me de pessoas que me relembram o que realmente importa. A minha competição é agora diferente: sei que, se conseguir encaixar certas peças, o meu ténis transforma-se completamente.”
A relação com as lesões foi também tema de conversa, com Dimitrov a revelar o peso psicológico dos últimos tempos. “O medo não é um amigo. Quem quer competir ao mais alto nível tem de ser capaz de se levar ao limite. Já tive pequenas lesões, grandes lesões… mas porque estaria aqui se não estivesse disposto a voltar a arriscar? As dúvidas aparecem sempre, não tento escondê-las nem lutar contra elas. Aceito-as. Se tentarmos reprimi-las, acho que é ainda pior. É um trabalho diário, não se acorda um dia e se é logo forte mentalmente.”
A mudança mais visível no plantel de Dimitrov foi a integração de David Nalbandian na sua equipa técnica, ao lado de Xavier Malisse. O búlgaro explicou o impacto do argentino: “Antes de começarmos a trabalhar juntos, quisemos conhecer-nos bem. Sempre admirei a forma como ele jogava; conseguiu despertar em mim algo que estava adormecido. Tem uma abordagem muito direta, mas também humilde, ao transmitir ideias. O meu jogo já está bastante maduro, não há grandes segredos. O que procuramos é que eu consiga aplicar coisas diferentes em momentos-chave e voltar a surpreender os adversários. Se quero voltar ao topo, não posso limitar-me a trocar bolas do fundo do court.”
A emoção do regresso a Wimbledon ficou expressa nas palavras finais de Dimitrov, que não escondeu a gratidão por estar de volta a um palco de tantas memórias. “Esta semana foi regeneradora para mim. Sem qualquer dúvida, foi a melhor semana dos últimos doze meses. Estou muito grato pela oportunidade de competir aqui de novo. Só eu sei tudo o que passei nos últimos meses; agora estou no terceiro turno de Wimbledon, o meu corpo está a responder bem e isso é o mais importante. Neste desporto quase não há tempo para saborear as vitórias: é preciso aproveitá-las, descansar e preparar logo o próximo jogo. Ainda há muito caminho a percorrer.”
Dimitrov volta assim a colocar-se no centro das atenções em Wimbledon, mostrando que a experiência e a resiliência podem ser armas decisivas nos grandes palcos. O próximo desafio será contra Matteo Berrettini, um adversário de peso que colocará à prova a nova maturidade e confiança do búlgaro. Se conseguir manter este nível, Dimitrov pode sonhar em ir ainda mais longe e provar que, apesar das quedas, ainda não está pronto para abdicar dos grandes momentos do ténis mundial. A expectativa aumenta e os adeptos aguardam ansiosos para saber até onde Dimitrov conseguirá levar este renascimento improvável.
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