Amanda Anisimova voltou a surpreender Wimbledon ao garantir a passagem à terceira ronda do prestigiado torneio britânico, deixando claro que a relva londrina se tornou o seu refúgio ideal para desligar das pressões do circuito. Após uma vitória dramática frente a Sofia Kenin, a tenista norte-americana de 24 anos prepara-se agora para um duelo de alto nível com Madison Keys, num confronto que promete emoções fortes e poderá decidir o futuro imediato da sua carreira.
Com o apuramento garantido na quinta-feira, dia 2 de julho, Anisimova continua a trilhar o seu caminho no All England Club, onde no ano passado chegou à final, só sendo travada pela polaca Iga Swiatek. Esta temporada, ocupa o sexto lugar do ranking mundial e sabe que tem muitos pontos a defender — caso falhe, pode mesmo cair fora do top-8, cenário que aumentaria ainda mais a pressão que já sente aos ombros. Até ao momento, venceu dois encontros em Wimbledon: o primeiro frente a Lina Gjorcheska e o segundo, mais suado, frente à compatriota Kenin.

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A vitória sobre Kenin foi tudo menos tranquila. Anisimova entrou forte, venceu o primeiro set com autoridade ao quebrar o serviço da adversária por duas vezes, mas no segundo set viu Kenin reagir e levar o jogo para a negra. No set decisivo, Kenin chegou à vantagem por 3-1, mas Anisimova, visivelmente frustrada e a gritar várias vezes para o seu próprio banco, conseguiu recuperar, levando o encontro até ao tie-break, que venceu por 7-6 (3). No final, celebrou de forma efusiva, levando a mão ao ouvido e pedindo o apoio do público, numa demonstração de que não se deixa abater facilmente pela pressão.
No rescaldo do encontro, Anisimova explicou como tem encontrado em Wimbledon o local perfeito para se desligar do stress competitivo e recarregar energias. “Adoro o metro; apanhei-o no primeiro dia em que cheguei, embora tenha sido porque estava com preguiça de voltar a pé e só fiz uma estação. Acho divertido porque em Miami estou sempre a conduzir, e não gosto muito disso. Quando estou em cidades onde posso andar de comboio, desfruto bastante dessa experiência. É uma boa forma de libertar a mente. Normalmente significa que vou explorar algum sítio ou fazer algo durante o meu tempo livre, até agora tudo tem corrido muito bem”, partilhou a tenista na conferência de imprensa após a vitória. Estas declarações mostram uma faceta mais descontraída de Anisimova, que parece ter encontrado em Londres um equilíbrio raro entre competição e lazer — algo que pode ser determinante para o seu desempenho no torneio.
No entanto, a pressão é inegável. A norte-americana, apesar de já ter alcançado uma final esta época, ainda não conseguiu defender nenhum dos seus títulos, e as expectativas em Wimbledon são elevadíssimas. Nas últimas partidas tem demonstrado alguma instabilidade emocional, gritando com frequência para a sua equipa, o que não passou despercebido aos especialistas. Para seguir em frente, terá de apresentar mais controlo emocional, sobretudo diante de uma adversária como Madison Keys, que está em grande forma e conquistou recentemente o título de Eastbourne pela terceira vez.
Antes do início do torneio, Anisimova assumiu: “Estou apenas concentrada no momento, a tentar não pensar que tenho muitos pontos para defender nesta segunda metade da época”. O registo recente também não é animador: soma 16 vitórias e 8 derrotas este ano, algo aquém das expectativas para uma jogadora do seu calibre. Quanto ao embate com Keys, Anisimova admitiu: “É muito agradável o que ela disse sobre o meu backhand; a verdade é que penso o mesmo sobre ela e sobre o seu jogo. É uma jogadora que bate muito forte, das melhores do circuito, por isso tenho a certeza de que será um grande encontro. Acredito que ambas temos estilos muito semelhantes, por isso estou convencida de que nos vamos obrigar mutuamente a elevar o nosso nível durante o encontro”.
O duelo entre Anisimova e Keys, agendado para sábado, 4 de julho, promete ser um dos mais aguardados desta fase da competição. Keys atravessa um excelente momento, tendo vencido sete jogos nos últimos dez dias em relva, o que aumenta as dificuldades para Anisimova. Ainda assim, a norte-americana leva vantagem no confronto direto, com uma vitória em outros tantos encontros frente à compatriota.
Com Wimbledon a entrar na fase decisiva, Amanda Anisimova sabe que está perante uma oportunidade única para consolidar a sua posição entre a elite do ténis mundial. Uma vitória frente a Keys não só garantiria a defesa de pontos cruciais, como também funcionaria como um sinal claro de que a norte-americana está pronta para voltar a lutar por títulos importantes. O ambiente descontraído que encontrou em Londres pode ser o trunfo que faltava para elevar o seu ténis e surpreender novamente o mundo do desporto. Os próximos dias serão decisivos para perceber se Anisimova consegue transformar o seu refúgio em Wimbledon num verdadeiro palco de consagração.
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