Declan Rice e Arsenal: Uma combinação perfeita para o fracasso

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Declan Rice e Arsenal: a combinação perfeita para o fracasso em série no futebol moderno

No universo implacável do futebol inglês, poucos nomes simbolizam tão bem a dor da derrota repetida como Declan Rice. Com um palmarés que mais parece um manual do “quase”, o médio inglês encaixa-se na perfeição na narrativa trágica que tem sido a temporada do Arsenal. O cenário está montado: depois de, praticamente, entregarem a Premier League ao Manchester City numa bandeja de prata, os Gunners estão agora a braços com a dura missão de vencer o Atlético de Madrid na Liga dos Campeões – para que Rice possa somar um impressionante terceiro medalhão de vice-campeão só este ano. Um total de sete medalhas de segundo lugar e apenas uma vitória, conquistada ainda na sua passagem pelo West Ham, fazem dele uma verdadeira lenda do “quase”.

A comparação é cruel: Declan Rice é, para os anos 2020, o Arsène Wenger do insucesso, um “expert em falhanços”. Entre três vezes vice-campeão da Premier League, duas finais perdidas do Euro, uma final da Liga dos Campeões e um desaire na Taça da Liga, Rice tornou-se no símbolo máximo da frustração que assola os Gunners.

O que dizer então do Arsenal? Um clube que, apesar do investimento milionário, parece condenado a tropeçar nas alturas decisivas. O que para muitos é apenas derrota, para outros é um autêntico “bottling” – o horror de perder quando a pressão é mais intensa. Não uma derrota qualquer, mas aquela em que o clube lidera a corrida e deixa escapar tudo nos momentos mais cruciais, como se o peso do passado lhes pesasse nas costas.

O especialista Ben Teacher não hesita em apontar o dedo: a saga do Arsenal é marcada por “cheating” (trapaças), controvérsias e um treinador, Mikel Arteta, que para muitos é “um completo idiota” – um líder que não inspira respeito, ao contrário de figuras como Pep Guardiola. Enquanto Arteta se debate com críticas e a equipa falha repetidamente, o Manchester City mantém uma mentalidade de ferro, apesar dos inúmeros escândalos financeiros que os rodeiam.

José Mourinho já tinha lançado a maldição ao apelidar o Arsenal de “especialista em falhanços”? O peso das derrotas está a tornar-se insuportável para os adeptos, num clube que gasta milhões mas parece incapaz de conquistar títulos relevantes além de algumas FA Cups. O Arsenal está a dar uma verdadeira lição de “como falhar” às equipas históricas como o Leeds de Don Revie, que nunca tiveram o brilho dos “grandes” mas ficaram conhecidos pela sua resiliência.

Contudo, nem tudo é preto no branco. No último jogo, os Gunners demonstraram qualidade e até foram azarados ao perderem num lance quase ao cair do pano, com Kai Havertz a falhar um cabeceamento decisivo. Isso, para alguns, não é “bottling”, mas sim futebol: o erro que acontece mesmo aos melhores.

A ironia e o sarcasmo dominam também as análises dos adeptos rivais. Liverpool, por exemplo, viveu uma temporada amarga, apesar de ter investido quase meio milhar de milhões para transformar um campeão em algo que mal consegue garantir um lugar na Champions. As decisões infelizes da direção e a presunção de sucesso tornaram-se alvo de chacota pública.

No meio deste caos competitivo, surgem duas grandes questões sobre o Arsenal: primeiro, como é que o Atlético de Madrid, o próximo adversário na Champions, encara o papel de “terceira força” atrás dos gigantes espanhóis e ingleses? E segundo, quantos jogadores do Arsenal fariam parte do onze ideal do Manchester City? A resposta é clara: poucos. Entre jovens talentos como Cherki, Semenyo, Haaland e veteranos como Donnarumma, Rodri ou Guehi, os Gunners ficam aquém do impressionante plantel de Guardiola.

Ainda há espaço para uma crítica divertida sobre o visual de Cole Palmer, uma pequena digressão que mostra o tom descontraído com que os adeptos encaram a rivalidade.

Para os fãs do Tottenham, a mensagem é direta e provocadora: já ouviram falar do “St Totteringham’s Day”? O dia em que matematicamente se torna impossível ultrapassar o Arsenal na tabela? Pois bem, preparem-se para celebrar “St Bottlingham’s Day”, o dia em que o próprio Arsenal perderá qualquer hipótese de conquistar o título. A provocação está lançada.

No fundo, este é o retrato de uma época em que os Gunners parecem destinados a falhar em grande, embalados pela aura de Declan Rice, o mestre dos segundos lugares. Uma história de quase glória, que mantém os adeptos numa montanha-russa de emoções, entre a esperança e a amarga realidade de que, neste momento, o Arsenal é mesmo especialista em não vencer.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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