Enzo Maresca está prestes a protagonizar uma das maiores revoluções no futebol inglês: o italiano de 46 anos parece encaminhado para suceder Pep Guardiola no comando do Manchester City, numa mudança que pode abalar os alicerces do clube dos Citizens após uma década de domínio inquestionável sob a batuta do catalão. A confirmação poderá chegar após o jogo derradeiro da época, este domingo, frente ao Aston Villa, marcando o fim de uma era e o início de uma aposta ousada no Etihad Stadium.
Mas será mesmo Maresca o homem certo para herdar a hercúlea tarefa de substituir Guardiola? Analisemos a fundo o percurso e os desafios deste técnico tipicamente à prova de fogo.
Maresca, ex-jogador de meio-campo com passagens por Inglaterra, Itália, Espanha e Grécia, viu a sua carreira técnica descolar depois de uma experiência como adjunto de Manuel Pellegrini no West Ham até 2019. Em 2020, assumiu o comando da Elite Development Squad do Manchester City, conquistando a Premier League 2, antes de uma curta passagem pelo Parma, na Serie B italiana. Regressou ao City na época 2022-23 como braço direito de Guardiola, numa temporada histórica que culminou com o célebre triplete: Champions League, Premier League e FA Cup.
No entanto, a ambição levou-o a aceitar em junho de 2023 o desafio no Leicester City, onde confirmou o seu talento ao conduzir a equipa ao título da Championship, resistindo a um forte ataque do Ipswich até ao último momento. Este sucesso precipitou a sua contratação pelo Chelsea, que lhe ofereceu um contrato de cinco anos com opção para prolongar mais um.
O arranque em Stamford Bridge foi electrizante, com a equipa a ser apontada como candidata ao título, e a conquista da Conference League e da nova edição alargada do FIFA Club World Cup a cimentar a confiança no seu trabalho. Mas a realidade impiedosa da Premier League falou mais alto: após 18 meses, Maresca foi despedido no dia de Ano Novo de 2026, com o Chelsea a ocupar um modesto quinto lugar, a 15 pontos do líder Arsenal e com apenas uma vitória nos últimos sete jogos. Os relatos de relações tensas com figuras-chave do clube e a revelação de contactos frequentes com o Manchester City, mesmo com quase metade do contrato em vigor, abalaram ainda mais a sua posição.
Agora, com Guardiola a deixar um plantel recheado de talentos e reforçado por aquisições milionárias como Antoine Semenyo, Marc Guehi, Gianluigi Donnarumma, Rayan Ait-Nouri, Ryan Cherki e Tijjani Reijnders, Maresca enfrenta o desafio de manter o City no topo da Europa. A saída de estrelas como Bernardo Silva e John Stones, e a possível transferência de Rodri para o Real Madrid, adicionam pressão a um início de mandato que promete ser tudo menos tranquilo.
O enigma está lançado: conseguirá Enzo Maresca impor-se como o novo líder do Manchester City, mantendo a hegemonia e conquistando glória num dos palcos mais exigentes do futebol mundial? O tempo, e os resultados, dirão. Mas a verdade é que a saga da sucessão de Guardiola acaba de ganhar um capítulo explosivo que todos os adeptos e críticos vão querer acompanhar de perto.
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