Cristiano Ronaldo voltou a ser o centro das atenções, mas desta vez pelos piores motivos: Thierry Henry arrasou sem piedade a exibição do capitão português, após Portugal ter consentido um empate a uma bola frente à República Democrática do Congo, naquele que se tornou um dos resultados mais surpreendentes da fase de grupos do Mundial. O encontro ficou ainda marcado por um feito histórico para os congoleses, que conquistaram o primeiro ponto de sempre numa fase final de um Campeonato do Mundo, graças a um golo decisivo de Yoanne Wissa, avançado do Newcastle.
Aos 41 anos e 132 dias, Cristiano Ronaldo fez história ao tornar-se o jogador de campo mais velho de sempre a alinhar numa partida do Mundial, mas este marco pouco serviu de consolo perante uma exibição apagada e uma estatística verdadeiramente insólita: Ronaldo não conseguiu qualquer remate enquadrado com a baliza, tocou apenas cinco vezes na área adversária e realizou um único passe para o último terço do terreno. Perante uma República Democrática do Congo motivada e disciplinada, Portugal esteve longe de justificar o favoritismo e deixou escapar pontos cruciais numa noite frustrante, disputada em ambiente de cortar à faca.

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A importância deste empate vai muito além do simples resultado. Para Portugal, a igualdade complica desde já as contas do grupo, tornando mais difícil garantir a passagem tranquila à fase seguinte. Para a República Democrática do Congo, o ponto conquistado representa um feito sem precedentes, capaz de galvanizar não só a própria selecção, mas também todo o futebol africano. Já para Ronaldo, o jogo poderá ter significado o início de um declínio inevitável em termos de influência dentro de campo, abrindo espaço a críticas ferozes, como a que lhe foi dirigida por Thierry Henry.
Durante a análise pós-jogo na Fox Sports, Thierry Henry não poupou nas palavras ao comentar a actuação do craque português: “Uma coisa que é importante, por favor, para quem está em casa: a equipa precisa de marcar, não tu precisas de marcar.” O antigo avançado do Arsenal e da selecção francesa foi ainda mais longe ao destacar um lance específico: “Vamos ver aqui Portugal com bola, Cancelo vai receber a bola. Cristiano Ronaldo já esteve nesta situação várias vezes. Se fizeres aquela desmarcação, obrigas o defesa a tomar uma decisão para fechar a pequena área. Mas porque quer marcar, ele vai para o caminho do Bruno Fernandes. Se tivesse ido para a pequena área, obrigava o defesa a segui-lo e seria um golo fácil para o Bruno Fernandes. Mas como quer marcar, vai para o caminho do passe atrasado. Vêem-se os dois jogadores, e assim é mais fácil defender.” Estas palavras de Henry foram proferidas no rescaldo do encontro, num claro ataque à postura individualista de Ronaldo em detrimento dos interesses colectivos da selecção nacional.
Cristiano Ronaldo, confrontado com esta avalanche de críticas, viu-se obrigado a digerir uma das noites mais amargas da sua carreira internacional. O seleccionador português enfrenta agora o dilema: manter a aposta naquela que é a maior referência da história do futebol luso ou começar a preparar a renovação da frente de ataque, sob risco de hipotecar as aspirações no Mundial. O empate frente à República Democrática do Congo deixou Portugal com margem de erro reduzida e a pressão a aumentar exponencialmente sobre Ronaldo e restante plantel. Os próximos jogos serão decisivos para perceber se a selecção das Quinas consegue reagir a tempo ou se este Mundial ficará marcado pelo ocaso de uma lenda e pela ascensão surpreendente de equipas ditas menores. Os adeptos portugueses exigem respostas imediatas e uma mudança de atitude que devolva esperança a uma candidatura que parecia inabalável, mas que agora treme perante a realidade dos factos.
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