Cristiano Ronaldo atingiu um marco inesperado e preocupante: está a atravessar o pior ciclo da sua carreira em fases finais de grandes competições sem conseguir abanar as redes adversárias. O craque português, considerado por muitos o melhor marcador de sempre da Seleção Nacional, soma agora dez jogos consecutivos em branco entre Campeonatos do Mundo e Europeus, após nova partida sem golos na estreia de Portugal frente à RD Congo, no Mundial 2026.
A última vez que Ronaldo festejou um golo numa fase final foi a 24 de novembro de 2022, frente ao Gana, no Mundial do Qatar, quando converteu uma grande penalidade aos 65 minutos, contribuindo para a vitória portuguesa por 3-2. Desde então, o capitão luso falhou o alvo nos restantes quatro encontros nesse torneio, ficou em branco em todos os cinco jogos que disputou no Euro 2024, e voltou a passar ao lado dos golos no arranque da caminhada em solo americano, mexicano e canadiano. O total é avassalador: dez jogos, 802 minutos em campo sem descontos, e nem um golo apontado por aquele que é, para muitos, sinónimo de golo.

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O impacto deste jejum estatístico é brutal para a narrativa em torno de Ronaldo, que sempre viveu com a pressão e o orgulho de ser o goleador-mor das grandes noites lusas. Há ainda a agravante de ter sido titular em praticamente todos estes jogos, somando minutos e oportunidades sem conseguir voltar a fazer a diferença no marcador. No Mundial do Qatar, além do golo ao Gana, Ronaldo foi titular contra o Uruguai e a Coreia do Sul, mas acabou substituído em ambos, algo que não agradou ao avançado. O episódio mais polémico surgiu precisamente frente aos sul-coreanos: o então selecionador Fernando Santos optou por colocá-lo no banco nos oitavos de final frente à Suíça, apostando em Gonçalo Ramos, que respondeu com um hat-trick. Ronaldo voltou a ser suplente utilizado nos quartos de final contra Marrocos, entrando aos 65 minutos, mas sem conseguir evitar a eliminação de Portugal.
A saída de Fernando Santos abriu portas a uma nova era com Roberto Martínez, mas o ciclo negativo manteve-se. No Euro 2024, Ronaldo foi sempre opção inicial, jogando os 90 minutos frente à Chéquia e à Turquia, mas sem conseguir marcar. No embate com a Geórgia, já com o apuramento e o primeiro lugar assegurados, Martínez rodou a equipa mas manteve Ronaldo em campo, retirando-o apenas aos 66 minutos. Pela primeira vez desde o Euro 2004, o avançado do Al Nassr terminou uma fase de grupos de uma grande competição sem qualquer golo marcado, uma estatística que não passa despercebida a adeptos e críticos. Nos oitavos de final frente à Eslovénia, Ronaldo desperdiçou uma grande penalidade aos 105 minutos, num momento assinalado pela defesa de Oblak. O filme repetiu-se nos quartos de final diante da França: 120 minutos de jogo, sem qualquer golo do capitão.
Na estreia do Mundial 2026, Roberto Martínez voltou a apostar no seu capitão frente à RD Congo, mas Ronaldo continuou sem conseguir quebrar a malapata, aumentando para dez o número de jogos consecutivos sem marcar em fases finais. A pressão aumenta, os holofotes intensificam-se e as dúvidas sobre a titularidade de Ronaldo começam a adensar-se, sobretudo perante a qualidade e juventude que desponta no ataque português.
Apesar do silêncio dos golos, Cristiano Ronaldo mantém a postura de líder e já reagiu ao momento delicado. Após o jogo frente à RD Congo, o avançado afirmou: “O importante é a equipa estar unida e continuar a acreditar. Os golos vão aparecer naturalmente”. O selecionador Roberto Martínez, em conferência de imprensa, reforçou a confiança no capitão: “O Cristiano é fundamental para o nosso grupo, independentemente de marcar ou não. A experiência e a ambição que traz ao balneário são inigualáveis”.
A questão que agora se coloca é clara: conseguirá Ronaldo quebrar este ciclo negativo e voltar a ser decisivo para Portugal? O próximo adversário é o Uzbequistão, e a expectativa é máxima. Caso o capitão continue em branco, a discussão sobre possíveis alterações no onze inicial vai ganhar força, sobretudo com nomes como Gonçalo Ramos e João Félix à espreita de uma oportunidade. Nesta fase, cada jogo é uma final para Ronaldo, não só pelo orgulho pessoal, mas também pela necessidade de dar resposta em campo às críticas e à crescente pressão mediática.
O futebol vive de golos, e Ronaldo habituou o mundo a esperar sempre mais. O recorde negativo que agora carrega é um peso extra numa fase avançada da carreira, mas também uma oportunidade para calar os críticos e voltar a fazer história. O próximo encontro será, mais do que nunca, um teste à resiliência e ao instinto matador de Cristiano Ronaldo. Portugal e o mundo estão atentos: será desta que o capitão volta a fazer tremer as redes?
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