Cristiano Ronaldo esteve longe dos holofotes habituais ao ver-se praticamente anulado pela defesa da República Democrática do Congo, num encontro em que Portugal desiludiu e não foi além de um empate comprometedora. Por outro lado, Inglaterra e Colômbia aproveitaram o dia para dar um claro sinal de força, conquistando vitórias expressivas e catapultando-se para o centro das atenções do Mundial.
No sétimo dia do Campeonato do Mundo, Portugal entrou em campo frente à RD Congo, no que se esperava ser jogo de domínio luso. João Neves abriu o marcador logo aos seis minutos, alimentando as expectativas de uma goleada. Contudo, Yoane Wissa empatou para a RD Congo já nos descontos da primeira parte, gelando as esperanças nacionais. Apesar de uma posse de bola esmagadora (75%), os comandados de Roberto Martínez só conseguiram rematar uma única vez à baliza – precisamente o golo de Neves, em sete tentativas. Cristiano Ronaldo foi o alvo de praticamente todos os cruzamentos, mas o capitão português só conseguiu tocar na bola 25 vezes e passou completamente ao lado do jogo, naquele que marcou a sua histórica sexta presença em fases finais de Mundiais.

O MUNDIAL 2026 VIVE-SE COM A LEGO
A seleção inglesa, por sua vez, não deixou margem para dúvidas e esmagou a Croácia por 4-2, com Harry Kane a bisar e a igualar Gary Lineker como melhor marcador inglês em Mundiais, ambos com 10 golos. O selecionador Thomas Tuchel viu assim recompensada a aposta em Noni Madueke e Jude Bellingham, que estiveram em grande plano, mostrando que a Inglaterra está pronta para lutar até ao fim pelo troféu.
O momento mais dramático do dia aconteceu no Gana-Panamá. Com um remate certeiro aos 95 minutos, Caleb Yirenkyi selou um triunfo épico para os Black Stars, gerando uma explosão de alegria nas bancadas e colocando o Gana numa posição excelente para seguir em frente na competição. A Colômbia também não ficou atrás e cilindrou o estreante Uzbequistão por 3-1, com Luis Díaz a ser o grande protagonista: marcou, assistiu e liderou a equipa, levando a sua seleção ao topo do Grupo K.
Estas incidências são de extrema importância no contexto da competição. O empate de Portugal coloca pressão máxima sobre os próximos jogos do grupo, podendo obrigar a equipa das Quinas a vencer os restantes encontros se quiser garantir o apuramento. Por outro lado, Inglaterra e Colômbia deram passos de gigante rumo aos oitavos-de-final, reforçando o estatuto de candidatas. O triunfo dramático do Gana renova a esperança numa seleção que no ano passado falhou o apuramento para a Taça das Nações Africanas, mas que agora, em solo norte-americano, parece decidida a redimir-se perante o mundo.
Após o jogo, Roberto Martínez não escondeu o desagrado com a exibição: “Faltou-nos acutilância no último terço, fomos previsíveis e pagámos caro por não matar o jogo”, lamentou o selecionador português na conferência de imprensa. Já Cristiano Ronaldo, visivelmente frustrado, sublinhou a necessidade de mudar o chip: “Temos de ser muito mais ambiciosos e eficazes. Não viemos aqui para empates”, afirmou o capitão, ainda na zona mista, deixando claro que o objetivo passa por chegar longe, apesar do tropeço inicial. Do lado inglês, Harry Kane mostrou-se orgulhoso por igualar Lineker: “É uma honra enorme, mas o meu foco é ajudar a equipa a vencer o Mundial”, referiu o avançado, já depois do apito final.
Na análise ao dia, destaca-se ainda o golaço de Martin Baturina, da Croácia, que atirou fora do alcance de Jordan Pickford, protagonizando um dos melhores momentos do torneio até agora. Luis Díaz conquistou o título de jogador do dia – além do golo e da assistência, somou dois passes decisivos, duas arrancadas e onze passes para o último terço, obtendo uma impressionante classificação de 8,9.
Quanto ao ambiente fora das quatro linhas, as ruas de Toronto foram invadidas por adeptos ganeses em festa, celebrando o golo salvador de Yirenkyi até altas horas. Em Lisboa, milhares de portugueses encheram o Terreiro do Paço para apoiar a seleção, mas foi a alegria inesperada dos poucos adeptos congoleses entre a multidão que ficou na retina – uma lição de fair play e união que só o futebol pode proporcionar. Em solo norte-americano, os adeptos ingleses entoaram ‘Wonderwall’ dos Oasis perante os jogadores, numa comunhão perfeita entre bancada e relvado.
As próximas jornadas prometem emoções fortes. Portugal terá de corrigir rapidamente a falta de eficácia ofensiva e garantir que Ronaldo volta a ser decisivo, sob pena de comprometer o apuramento. Inglaterra e Colômbia partem embaladas para os desafios seguintes, enquanto Gana chega moralizado e pronto para surpreender. O Mundial está ao rubro e nada está decidido – só se pode esperar mais surpresas, polémicas e momentos inesquecíveis nos dias que se avizinham.
AGORA PODE ACOMPANHAR O MUNDIAL DE FUTEBOL COM TODA INFORMAÇÃO – AQUI
